Foi na tórrida tarde da última quinta-feira, na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, que Vasco Ribeiro anunciou que irá regressar às provas de surf a nível profissional .
O retorno dá-se após Vasco cumprir uma suspensão de três anos após ter falhado controlos antidoping na sequência de problemas com o consumo de droga.
Com o nome 'Vasco Ribeiro - The Comeback', este foi um evento muito emotivo, que juntou diferentes gerações do surf luso, mas também treinadores, família, amigos e adversários passados do surfista da Poça, que voltarão a ser em breve.
Na fase inicial do evento, Vasco teve no palco a companhia de quatro pessoas que lhe dizem bastante: os dois treinadores de sempre, David Raimundo e Nuno Telmo, o shaper Nick Uricchio e o amigo José Ferreira, que em tempos também foi seu oponente em diversas provas nacionais e internacionais.
A bonita e emotiva conversa foi moderada por João Francisco Lima perante uma plateia bem atenta e também sem esconder as emoções perante o que estava a testemunhar.
O “comeback emocional”
Selecionador nacional e treinador de Vasco Ribeiro, desde que este era uma criança a iniciar-se na modalidade, David Raimundo referiu que mais do que um regresso à competição, o seu pupilo está a efetuar um “comeback emocional”.
“O Vasco tornou-se uma pessoa diferente, com mais maturidade, mais honesta e mais sincera consigo próprio. Está com muito mais ferramentas e capacidade de fazer aquilo que mais gosta, independentemente do sucesso. Venha o que vier, a maior taça já ganhaste.”
O técnico entende que a principal mensagem a passar é que “errar é humano”, mas é necessário “saber cair e assumir quando falhamos”, salientando o facto de que “desde a primeira hora” o surfista da Poça “nunca quis esconder o que lhe aconteceu”.
David considera que o recordista masculino de títulos nacionais Open, com cinco conquistas, tem “ainda tanto para oferecer ao surf português”. Raimundo sublinha que o antigo campeão mundial Júnior da WSL “nasceu para competir” e sempre foi um “competidor nato e feroz”.
Pelo mesmo diapasão, alinha o também treinador Nuno Telmo, que conhece o ex-campeão europeu da WSL “praticamente desde que nasceu”.
“Estava mais preocupado com o Vasco do que com o surf e a competição propriamente dita. Sabia que o surf iria continuar com ele para a vida. A minha preocupação é se sobreviveria e iria fazer um percurso limpo”, confidenciou.
Telmo disse ainda que Vasco está a surfar muito – “antes de virmos para aqui fez três 9,00 pts na Caparica “– mas ao mesmo tempo alerta que a tarefa “não vai ser fácil”.
Por sua vez, o shaper Nick Uricchio da Semente Surfboards, que há muito está radicado no nosso país, revelou que o quiver de Vasco Ribeiro está no “ponto” e que este é o “menos complicado” de todos os surfistas com quem já trabalhou.
“O Vasco já me deu muito. É um monstro a surfar e a não o ia largar por causa do que aconteceu. Há muito que é o melhor surfista deste país. Ficou um campeão acima do campeão que já era.”
Já José Ferreira, que atualmente está retirado das competições profissionais, relembrou o facto de que ambos já passaram por “muita coisa” à volta do mundo e considera que a “recuperação já é um campeonato ganho”.
Para o futuro, o responsável pelo projeto terapêutico Wave by Wave garantiu. “Estamos aqui, meu Ribeiro!”
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