A edição de 2026 do Rio Pro, cujo epílogo aconteceu esta sexta-feira, não foi nada fácil para as cores brasileiras.
Há precisamente uma semana, a torcida que se deslocou ao mítico ‘Maracanã do Surf’ ficou em estado de choque com as eliminações de primeira de Gabriel Medina e de Filipe Toledo. No dia seguinte, houve ainda os afastamentos de Italo Ferreira e de Luana Silva. As desilusões sucediam-se umas atrás das outras, fossem figuras principais ou mais secundárias do surf do país irmão. A coisa estava a pintar feia!
Assim continuou este sexta-feira, no rápido dia das finais, marcado por condições tempestuosas (chuva, vento, mar desafiante e frio) na Praia de Itaúna, em Saquarema. Nem a má meteorologia – é inverno no Brasil – afastou a multidão do areal. A esperança é a última a morrer, costuma-se dizer.
O local João Chianca falhou o acesso à final ao cair perante o aguerrido italiano Leo Fioravanti, que dessa forma roubou a licra amarela o Italo Ferreira. O que mais podia correr mal? O campeão mundial Yago Dora perder a final, onde assegurou lugar após bater o australiano Ethan Ewing, numa reedição do embate que decidiu o Rio Pro’2023.
E eis que na última oportunidade para a torcida ficar feliz, deu mesmo certo. Ri melhor quem ri por último, lá dizem os mais antigos e têm a sua razão, como podemos constatar.
Com toda a mestria, Yago Dora arrecadou o Rio Pro, levando ao rubro todos aqueles que tiraram o seu tempo para estar debaixo de chuva e ao frio na Praia de Itaúna. Tudo em prol de uma paixão.
Este foi o primeiro triunfo de Yago Dora no CT enquanto campeão do mundo e o segundo sucesso em quatro anos nas ondas do ‘Maracanã do Surf’. Desde 2023, só no ano passado é que o goofy de 30 anos falhou a final.
“Foi um dia impressionante, apesar da chuva e do frio. Quando cheguei pensei que a praia estaria vazia, mas estava completamente lotada para torcer pela gente. Adoro surfar para este público. Desde que desci para a primeira bateria, senti essa energia. Parece que sabia que ia dar tudo certo”, confidenciou o competidor catarinense em breve entrevista após a final, já em terra.
Na grande final, Leo Fioravanti até saiu na frente. Foi com tudo em busca da segunda vitória consecutiva em etapas. O romano quis repetir a receita que tinha aplicado nas meias-finais perante João Chianca.
Todavia, Yago Dora travou esse intento ao fazer a diferença com o jogo aéreo. Não fez nota 10 como na final de 2023, mas atingiu o patamar da excelência com um voo de 8,50 pts, que ajudou a perfazer o expressivo score combinado de 15,00 pts.
Leo Fioravanti, que até ao momento nunca bateu Yago Dora em confronto direto no CT, quedou-se pelos 13,17 pts. Como é seu apanágio, nunca baixou os braços, mas ainda não foi desta que encontrou o antídoto para superiorizar-se a Yago Dora.
"Era importante vencer para aproximar-me do Leo. Se fosse ele o vencedor, já ficaria com uma grande vantagem", afirmou o novo terceiro classificado do ranking mundial. Pelo meio, está Italo Ferreira.
No fim de tudo, com a praia em êxtase, Yago Dora e Leo Fioravanti cumprimentaram-se num bonito gesto de desportivismo em pleno palanque.
Vendo bem, ficaram todos a ganhar: Yago o campeonato e Leo a licra amarela. Em Teahupoo, dentro de mês e meio, Fioravanti será o primeiro italiano da história a envergar a 'amarelinha'. Outra história será contada.
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