Este ano, a qualidade das águas balneares em Portugal continental agravou-se, com as restrições a banhos a aumentarem 65% e as interdições mais do duplicaram entre maio e julho, segundo dados divulgados pela associação ambientalista ZERO.
Em comunicado divulgado no seu portal de internet, a associação ambientalista explica que a análise foi baseada na comparação dos pontos de situação mensais da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Direção-Geral da Saúde (DGS) relativos a maio, junho e julho das épocas balneares de 2025 e 2026.
Dessa análise, a ZERO concluiu que as restrições passaram de 51 (2025) para 84 (2026), o que representou um aumento de 65%, apesar de ter diminuído de 526 para 523 o número de águas balneares identificadas. .
Os desaconselhamentos aumentaram de 34 para 45, enquanto as interdições decretadas pelas autoridades de saúde passaram de 17 para 39, representando uma subida de 129%. A contaminação microbiológica é a principal causa em ambos os casos.
"O número de interdições por contaminação microbiológica passou de 14 para 34, um aumento de 143%, concentrado sobretudo em julho", salientou a ZERO, indicando que nesse mês foram registadas 30 interdições por esta causa, mais do dobro das 14 verificadas no mesmo período de 2025.
Num balanço alargado da época balnear, com dados disponíveis até 30 de agosto, a ZERO identificou 68 águas balneares em todo o país que tiveram pelo menos uma vez água imprópria para banho, num total de 87 ocorrências, ressalvando que não dispunha da totalidade dos dados dos Açores e tinha informação parcial relativa à Madeira.
Dessas 68 águas balneares, 32 são interiores, 29 costeiras e sete de transição, sendo as águas interiores responsáveis por 47% das situações de água imprópria, embora representem apenas cerca de 30% das águas balneares identificadas em Portugal continental.
A associação ambientalista destacou as praias de Unhais da Serra (Covilhã), com quatro ocorrências de água imprópria, e do Cabedelo (Figueira da Foz), com três, enquanto Matosinhos é o município com maior número de águas balneares afetadas, num total de sete.
"A ZERO manifesta a sua preocupação com a incapacidade, ano após ano, de reduzir as ocorrências de água imprópria para banho — a comparação efetuada até agora entre os anos de 2025 e 2026 mostra precisamente o oposto, com um agravamento acentuado tanto nos desaconselhamentos como, sobretudo, nas interdições por contaminação microbiológica", alertou.
Como causas, a associação apontou para "deficiências na rede de saneamento, descargas agropecuárias e industriais e poluição difusa".
"Para além de medidas de prevenção, é necessária uma ação inspetiva forte e sistemática, com identificação clara de responsabilidades", defende a ZERO.
A associação destacou ainda que duas das 73 Praias Zero Poluição distinguidas em maio deste ano registaram água imprópria para banho em 2026, nomeadamente Arda (Viana do Castelo) e Agudela (Matosinhos), pelo que não poderão manter aquela distinção em 2027.
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