O Ballito Pro é a etapa que está a abrir a Challenger Series de 2026/2027. Além das ondas de qualidade que têm brindado Willard Beach, a prova sul-africana também fica inevitavelmente marcada pela elevada presença de surfistas que atualmente pontificam no circuito mundial.
Contabilizaram-se 16 (nove homens e sete mulheres) no passado domingo, dia em que a 57.ª edição do Ballito Pro recebeu luz verde para entrar na água. Entre os quais, está a portuguesa Francisca Veselko.
Este elevado contingente tem contribuído naturalmente para elevar ainda mais a competitividade do evento africano.
Ao contrário do verificado noutras provas ao longo dos últimos anos, desta vez a presença dos tops mundiais não pode ser vista como um ‘estorvo’ para os surfistas titulares da Challenger Series, que ousam meter-se no na divisão máxima do surf mundial. Há uma possível explicação para a presença de tão grande número de atletas mundialistas, algo que não é nada habitual.
Muitos destes surfistas do CT que alinharam no Ballito Pro, estão já a salvaguardar uma eventual necessidade de requalificação para a elite mundial via Challenger Series, dentro de alguns meses. Isto sucede devido às alterações promovidas pela World Surf League (WSL) no seu calendário anual.
Anteriormente, a muito competitiva Challenger Series tinha início após o badalado cut de meio da temporada, ali por volta de maio, pelo que a armada do CT sabia se teria ou não de encetar a requalificação neste circuito.
Agora, apenas em outubro, após o 'nosso' MEO Rip Curl Pro Portugal, é que as contas vão ficar encerrados, sobre quem se requalifica ou não via CT. Isto numa altura em que já estarão realizados... quatro dos cinco eventos da presente Challenger Series.
Desta forma, nos próximos meses, os tops mundiais com a situação mais periclitante estão praticamente obrigados a jogar em dois tabuleiros, com o intuito de procurarem ter lugar na elite mundial em 2027. Todo um cenário que traz ainda mais desgaste aos atletas. Não é nada fácil manter simultaneamente o foco em dois circuitos, já para não falar nas despesas inerentes a este contexto.
Como candeia que vai à frente alumia duas vezes, é melhor começar desde já a amealhar valiosos pontos, não esquecendo que na equação também entram os novos QS6000 internacionais, entre os quais o esteante Norte Surf Fest, a realizar em Leça da Palmeira no início de setembro.
Segundo o Livroo de Regras da WSL para 2026, os atletas da Challenger Series poderão utilizar um dos resultados obtidos nos quatro QS6000 internacionais agendados como substituto do desempenho mais fraco que esteja a contar para o ranking, onde são válidas as quatro melhores performances.
Basicamente, os surfistas com ambições de qualificação para o CT em 2027 podem ter dois resultados negativos na Challenger Series, desde que depois façam bem num dos QS6000 internacionais.
Recorde-se que nesta edição, a Challenger Series atribui 10 vagas masculinas e 6 femininas para a elite mundial do próximo ano.
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