Está quase tudo por contar no CT'2026 - apenas três etapas foram realizadas - mas em dezembro esta será sempre uma das grandes histórias da campanha que celebra o 50.º aniversário do circuito mundial.
Logo à terceira etapa da temporada em que regressou após um período sabático de dois anos, a campeoníssima Stephanie Gilmore saiu vencedora, proclamando-se campeã deste inesquecível Gold Coast Pro, dada a qualidade das ondas e das performances que tivemos nos últimos quatro dias.
Tudo ganha contornos mais épicos se olharmos para o contexto em que se deu este memorável triunfo por parte da oito vezes campeã mundial. A laureada surfista australiana chegou à sua amada Gold Coast só com derrotas de primeira neste CT. Como tal, a competidora que mais vezes terminou a época no primeiro posto ocupava um inabitual último lugar da hierarquia.
Dado este cenário mais adverso, Steph iniciou a participação na prova caseira com o humilde objetivo de passar um heat, apesar de no seu íntimo ter o sonho de voltar a reinar na Gold Coast. Foi o que confidenciou na conferência de imprensa de lançamento do campeonato. Mal sabia o que estava guardado para si.
Esta segunda-feira, nas fantásticas direitas de Snapper Rocks, Gilmore venceu pela sétima vez (!) a sua etapa favorita do calendário, da qual também é recordista de triunfos a nível feminino.
"Pensava que este ano não seria capaz de vencer um evento, mas a acontecer teria de ser em Snapper Rocks. É a minha onda favorita no mundo", afirmou 'Happy Steph' no pódio.
Neste memorável dia das finais para o surf australiano, Ethan Ewing venceu a prova masculina, Stephanie Gilmore não teve vida fácil. Para garantir lugar na final, a consagrada bateu num super heat a rookie basca Nadia Erostarbe, que foi a grande surpresa da competição feminina.
Na grande final, a veterana 'aussie' impôs-se à brasileira Luana Silva, que esta segunda-feira surfou mais um heat do que a sua oponente. Tinha deixado para trás as norte-americanas Lakey Peterson e Sawyer Lindblad.
Apesar do maior desgaste, Lulu ofereceu uma excelente réplica, somando 14,07 pts. Todavia, não conseguiu repetir a vitória de há um mês sobre esta mesma adversária, então em Bells Beach.
Gilmore, como grande campeã que é, elevou o nível na hora de decisão. Rematou a campanha com uns incríveis 17,33 pts em 20 possíveis, pecúlio onde incluiu uma onda de 9,50 pts.
Aos 38 anos de idade - é a decana de elenco feminino - a antiga atleta olímpica somou a 34.ª vitória em etapas da divisão máxima do surf mundial. Já não ganhava desde outro momento épico. A cavalgada na finalíssima de Trestles em 2022 que culminou na conquista do histórico oitavo título mundial.
E ais que de repente, com os 10 mil pontos somados, Stephanie Gilmore deu um natural pulo no ranking. Ascendeu 16 lugares de uma assentada. Deixou a lanterna vermelha e passa a ocupar o sétimo posto.
A hierarquia tem uma nova e inédita líder. Com a chegada à final, Luana Silva tirou a licra amarela do corpo da havaiana Gabriela Bryan. Uma bonita e merecida recompensa para a surfista que perdeu a quarta final consecutiva no CT, segunda no espaço de uma semana
Resultado final feminina:
1. Stephanie Gilmore (AUS) 17.33
2. Luana Silva (BRA) 14.07
Resultado meias-finais femininas:
HEAT 1: Stephanie Gilmore (AUS) 15.00 DEF. Nadia Erostarbe (ESP) 14.23
HEAT 2: Luana Silva (BRA) 13.67 DEF. Sawyer Lindblad (USA) 12.73
Resultado quartos-de-final femininos:
HEAT 1: Nadia Erostarbe (ESP) 15.67 DEF. Gabriela Bryan (HAW) 14.33
HEAT 2: Stephanie Gilmore (AUS) 14.73 DEF. Caitlin Simmers (USA) 10.83
HEAT 3: Sawyer Lindblad (USA) 14.76 DEF. Molly Picklum (AUS) 12.50
HEAT 4: Luana Silva (BRA) 16.00 DEF. Lakey Peterson (USA) 10.00
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