"Rumo ao sonho olímpico", assim escreveu Francisca Veselko, de 23 anos, em publicação na sua conta na rede social Instagram. E não poderia estar mais correta a surfista que este ano faz a temporada de rookie no Championship Tour (CT) da World Surf League (WSL).
No Peru, na América do Sul, um novo sonho olímpico está prestes a começar para Portugal. O Mundial ISA de 2026, cuja competição arranca este sábado, representa a primeira oportunidade para as cores portuguesas assegurarem presença nos Jogos Olímpicos de Los Angeles'2028. Mais momentos haverá neste espaço temporal inferior a dois anos, inclusive via CT e Eurosurf, num processo de qualificação que sofreu alterações e fez correr muita tinta, nomeadamente entre vários atletas do World Tour.
A Seleção Nacional ambiciona manter o pleno de participações no mega evento, depois das aparições em Tóquio'2020 e Paris'2024 com a diplomada Yolanda Hopkins e Teresa Bonvalot. Momentos que ficam gravados para a eternidade do surf português.
Nesta primeira abordagem à qualificação para a prova a realizar em Trestles, estão em jogo duas vagas coletivas extra. Recorde-se que cada país pode participar na competição olímpica com um máximo de três atletas por género, precisamente por força destes passaportes extra.
Nas águas peruanas, que pela quarta vez na história recebem o Mundial ISA, as duas vagas para Los Angeles'2028 serão conquistadas pelos países que ganharem as classificações coletivas (masculina e feminina), ficando depois por saber que surfistas vão usufruir desses bilhetes.
Para Portugal, a tarefa não se avizinha nada fácil. Com Olimpíadas em jogo, as grandes potências do surf mundial apresentam-se muito fortes nas ondas de Punta Rocas e El Bosque, spots em que estarão montados os palanques nos próximos dias.
A concorrência é de peso - há 24 surfistas do CT em prova (onde se incluem Yo-Yo e Kika) - mas ao longo dos últimos anos Portugal, debaixo da orientação técnica de David Raimundo, já mostrou que não há impossíveis. Prova disso são os sucessivos apuramentos olímpicos e grandes prestações anotadas no Mundial ISA ao longo dos últimos anos, com um punhado de medalhas individuais (Yo-Yo é vice-campeã do mundo) e o cobre na classificação coletiva em Huntington Beach na edição de 2022.
No presente Mundial ISA, a Seleção Nacional vai a jogo com uma formação que mistura a experiência com a juventude, uma nova geração de atletas que começa a aparecer e a querer ganhar o seu espaço, aprendendo junto de quem anda há mais tempo nestes palcos.
Os jovens campeões nacionais Francisco Ordonhas e Maria Salgado fazem a primeira aparição no certame. Têm a companhia dos mais experientes Frederico Morais, Yolanda Hopkins, Kika Veselko e Guilherme Ribeiro, que nos últimos anos têm sido presença constante no campeonato organizado pela Associação Internacional de Surf (ISA). Todos juntos no Peru com um objetivo em comum: colocar novamente o surf português nos Jogos Olímpicos.
Este sábado, primeiro dia de competição, apenas o setor masculino vai estar na água, assinalando a estreia de Kikas, Ordonhas e Gui nesta grande maratona. Diariamente, o Mundial pode ser acompanhado através das transmissões em direto da ISA no seu canal de YouTube.
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