Um desabafo, depois de uma grande desilusão. É como se pode interpretar o texto publicado por Carissa Moore na sua conta na rede social Instagram. As palavras surgiram após o fim da participação de Riss no Philippines Pro, onde alcançou o terceiro lugar.
Carissa, de 34 anos, foi eliminada no duelo das meias-finais com Caitlin Simmers (campeã do evento ), que terminou de forma atribulada.
A menos de dois minutos do toque da buzina e numa altura que comandava a disputa, parecendo estar a caminho da grande final e de reconquistar a licra amarela (precisava de ganhar o heat), a cinco vezes campeã mundial cometeu uma interferência . Tal situação custou muito caro, pois perdeu a segunda melhor nota da pontuação combinada e baixou para o segundo lugar da bateria.
A campeã olímpica em Tóquio’2020 tinha perdido a prioridade momentos antes por ter bloqueado Simmers – assim entenderam os juízes – e fez-se à onda imediatamente a seguir, tal como a adversária californiana, que já sabia que tinha recuperado a prioridade.
Carissa Moore e Caity Simmers no momento da interferência
WSL/Matt Dunbar
Moore não se tinha apercebido que já não estava na posse da prioridade, alegando que tinha informação em sentido contrário. Porém, os registos da World Surf League (WSL) referem que já tinha ocorrido a alteração da prioridade, explicou Renato Hickel, vice-presidente dos Tours e Competições. Ele que após a conclusão do heat falou com a atleta havaiana no palanque.
“É extremamente difícil de aceitar. Há muito tempo que não me sentia tão frustrada com o desporto. Sinto-me um pouco derrotada por isto, mas também sei que é subjetivo e que todos estão a tentar dar o seu melhor”, escreveu a lendária surfista havaiana.
Ao mesmo tempo que expressa a sua frustração, Carissa Moore procura relativizar o sucedido no lineup de Cloud 9, na ilha filipina de Siargao.
“É apenas uma competição de surf. Sinto-me grata por estar nesta aventura com o meu marido e a minha filha, que constantemente recordam-me da sorte que tenho. Nestes momentos, opto por recorrer à minha fé e acreditar que tudo acontece como é suposto.”
Nesta que foi a sua primeira visita às Filipinas, no sudeste asiático, Carissa Moore guarda excelentes recordações desta viagem, apesar de como tudo terminou.
Carissa Moore com o marido
WSL/Andrew Shield
“Tenho orgulho de forma como surfei neste evento. Apanhei alguns dos melhores tubos em muito tempo. Genuinamente, tive a melhor viagem com a minha família e adorei todas pessoas incríveis que conhecemos.”
À entrada para a última etapa do CT de 2026 – o Pipe Masters – Carissa Moore não reconquistou a licra amarela, mantendo-se na vice-liderança do ranking mundial. Aproximou-se do cume da hierarquia, que é ocupado pela australiana Molly Picklum, a detentora do ceptro mundial.
Depois de 11 etapas realizadas, apenas 545 pontos distanciam as duas atletas. Veremos que implicações, nesta apertada corrida, poderá ter a situação da interferência ocorrida em Cloud 9, na madrugada da última terça-feira em Portugal.
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