Para o brasileiro Filipe Toledo, o Championship Tour (CT) versão 2026 está a ser bastante dececionante. De longe, esta tem sido a temporada mais difícil da última década. Uma década gloriosa, pois teve a sensacional conquista de dois títulos mundiais e de forma sucessiva: 2022 e 2023. O primeiro surfista brasileiro da história a defender com sucesso o ceptro conquistado no ano anterior.
Agora, aos 31 anos, o momento que Toledo vive é completamente antagónico a essas grandiosas conquistas alcançadas em Trestles, porventura o seu 'parque de diversões' favorito.
Ao MEO Rip Curl Pro Portugal, que começa na próxima sexta-feira, Filipe chega com uma sequência muito dura em termos de resultados. Vem de cinco derrotas de primeira consecutivas, quatro das quais às mãos de oposição australiana.
O homem de Ubatuba não ganha um heat na elite mundial desde o dia 22 de maio, momento em que desfeiteou o compatriota Gabriel Medina nos oitavos-de-final do New Zealand Pro.
Já lá vão quase quatro meses (!) sem conhecer o sabor da vitória numa disputa. É muito tempo para um atleta com os pergaminhos deste ilustre membro da 'Brazilian Storm' (Tempestade Brasileira). Isto significa que este ano, Toledo ainda não conquistou uma bateria fora da Oceânia, que acolheu as quatro primeiras etapas do ano. Nessa fase inaugural da campanha, Filipinho mostrou-se em muito bom plano.
Somou vitórias sucessivas sobre Gabriel Medina e destacou-se o alto nível exibido nas longas direitas de Snapper Rocks. Num campeonato com ondas de sonho, o antigo bicampeão mundial disparou várias notas excelentes, algumas das quais a roçar a perfeição.
Depois do World Tour sair da Oceânia, assistiu-se a um inesperado apagão do vice-campeão do mundo em 2021. Além das derrotas prematuras em Teahupoo e Cloudbreak, ondas de consequência em que está menos à vontade, a verdade é que Toledo acumulou desaires em ondas que são muito favoráveis ao seu estilo de surf de alta performance e nas quais já ganhou. Falamos de Punta Roca, Praia de Itaúna (Saquarema) e Trestles.
Correu mal e com tantos desaires consecutivos, o atleta brasileiro caiu a pique no ranking, distanciou-se muito da luta pelo título mundial e acabou com a calculadora na mão para escapar ao cut. O corte fechou ao 22.º colocado do ranking masculino e Toledo foi o 21.º. Foi por muito pouco que garantiu presença no MEO Rip Curl Pro Portugal e no Philippines Pro.
Um mês depois da última aparição competitiva, existe muita a expectativa para vermos se Filipe Toledo surgirá de 'cara lavada' em Supertubos, onde gritou vitória há 11 anos e perdeu a final de 2022. É mais uma oportunidade para dar a volta a uma situação difícil de digerir. Para isso, nada melhor do que começar por bater o 'carrasco' da etapa anterior, Liam O'Brien, e romper com esta série negra perante 'aussies'.
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