"Portugal e os portugueses têm uma qualidade do caraças!", esta foi a impactante frase que a vitoriosa Teresa Bonvalot disse a um punhado de jornalistas lusitanos após bater a número 1 mundial, Gabriela Bryan, e avançar para os quartos-de-final do MEO Rip Curl Pro Portugal.
E a arrojada frase, que até foi chamada para título destas linhas, bem se aplica a tudo aquilo a que assistimos nesta inaugural jornada expresso da etapa portuguesa do circuito mundial de surf. A 10.ª e antepenúltima da campanha de 2026.
Pese embora tenham sido registadas duas eliminações - o wildcard Frederico Morais e a 'titular' Yolanda Hopkins - a verdade é que toda a armada lusa mostrou a sua valia na hora de serem chamados a fazer a manobra-rainha do surf, o tubo. Fosse para a direita ou para a esquerda, lado que o mar de Supertubos ofereceu mais cilindros. Durante horas a fio, apesar das condições sempre desafiantes, tivemos um banquete tubular à moda do Oeste português.
E como consequência de toda a perícia demonstrada para a andar à sombra, temos três surfistas portugueses que acederam aos quartos-de-final. Ao já mencionado wildcard Guilherme Ribeiro, que brilhou em dose dupla durante a manhã, juntaram-se Kika Veselko e Teresa Bonvalot na prova feminina e com vitórias de prestígio, que abrilhantaram ainda mais esta bonita partitura escrita em língua de Camões.
A primeira surfista lusa a garantir a passagem aos quartos-de-final foi a 'rookie wildcard' Kika Veselko. Em Peniche, está a competir como convidada porque não passou o cut na competição anterior (Trestles Pro).
Na reedição da final que valeu o título mundial Júnior da WSL há uns anos, Kika desembaraçou-se da californiana Sawyer Lindblad, que chegou a Peniche no terceiro posto do ranking mundial. Foi com 8,54 pts que Veselko atirou Lindblad para fora da equação. "[Estas vitórias] trazem energia e confiança. Confesso que também estava relaxada, sem pressão. Estive só focada naquilo que mais quero fazer. Que é dar tubos e surfar como sei", contou a surfista de Carcavelos aos jornalistas após ter marcado encontro com a havaiana Bettylou Sakura Johnson nos quartos-de-final.
Não muito mais tarde, a goofy Teresa Bonvalot surpreendeu a havaiana Gabriela Bryan, que era nada mais nada menos do que a dona da licra amarela. Já não é porque perdeu e cedeu a amarela à conterrânea Carissa Moore, que prossegue a aventura penichense.
Teresa, de 27 anos, encontrou ouro a surfar para esquerda, com um belo tubo que valeu 7,33 pts, ajudando a perfazer o score combinado de 11,40 pts. Felicidade imensa para Bonvalot, a sua família que estava presente na praia e o público que veio ver os melhores do mundo. "Encontrei ali uma muito boa. É aproveitar ao máximo esta experiência, com condições únicas", disse a adversária da veterana norte-americana Lakey Peterson, num embate que vale a presença nas meias-finais.
O ramalhete só não ficou completo porque Yolanda Hopkins perdeu com a campeã mundial Molly Picklum. Está a ser uma 'pedra na quilha', pois foi a terceira derrota averbada às mãos de 'Pickles' este ano. Esta foi bem inglória.
Tudo porque Yo-Yo fez uma das melhores ondas do dia (homens incluídos). Um tubaço antológico para esquerda, que valeu 9,00 pts. A praia veio abaixo! Tal como já tinha acontecido na memorável perna do Pacífico, Yolanda mostrou toda a sua coragem e apetite tubular, mas desta vez não foi possível seguir em frente. Foi um momento anticlímax. A falta de um backup (somente 2,10 pts) revelou-se fatal para as aspirações de Hopkins, que continua a lutar com todas as suas imensas forças pela requalificação.
"As ondas estão bastante difíceis e a Molly estava com um bom ritmo no mar. Queria mesmo se perdesse, não perder com um closeout. Não queria acabar em casa com duas notas de 1,00 pt. Felizmente veio aquela onda. Fiquei muito feliz, mas ao mesmo tempo estou muito infeliz por não poder dar mais aos fãs, que são tão incríveis. Deram-me todos os parabéns e vieram comigo desde lá do fundo", contou Yolanda Hopkins depois da amarga derrota.
Depois de tantas emoções fortes condensadas num curto espaço de tempo, do cardápio ainda constava a realização dos 'quartos' femininos ao fim da tarde. Todavia, a organização optou por terminar a jornada e permitir que todos recuperem o fôlego.
O plano agora é realizar todos os quartos-de-final este sábado. A chamada está marcada para as 8h30 (hora de Portugal continental). Veremos como acorda Supertubos para o fim de semana, que pode ser de coroação dos campeões do CT de Peniche.
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