Dois dias depois, o MEO Rip Curl Pro Portugal foi finalmente retomado. A espera já ia longa e mesmo na manhã desta terça-feira só às 11h05 (hora de Portugal continental) - depois de seis chamadas - é que a buzina tocou pela primeira vez na Praia de Supertubos, em Peniche.
Nesta muito aguardada retoma, tivemos logo o surf português na água na bateria inaugural. A goofy Teresa Bonvalot, que participou no evento em substituição da lesionada Isabella Nichols, enfrentou a veterana norte-americana Lakey Peterson no terceiro heat dos quartos-de-final femininos.
Conforme esperado, chegou um novo swell, mas o duelo foi disputado com condições de mar bastante complicadas no mais famoso beach break do Oeste luso. O mar não se revelou amigo das atletas. Nada a ver com a gloriosa jornada tubular da última sexta-feira, logo no primeiro dia do período de espera. Tubos eram praticamente inexistentes, num mar muito agitado, cheio de corrente e onde se revelou muito duro encontrar boas oportunidades.
"Vou ser honesta, o mar está nojento. Está horrível. Acho que só foi piorando. O mar está realmente muito difícil de uma ponta à outra. Gostaríamos de ter melhores condições. Eu e a Lakey até falámos antes [do heat] e desejámos boa sorte. Que conseguíssemos encontrar algum cantinho para fazer algumas coisas", contou Teresa Bonvalot em curta conversa com os jornalistas após o final da contenda.
Como tal, a bateria de 35 minutos foi lenta e pautada por scores baixinhos. Era preciso 'tirar leite de pedra'. O que destoou foi o 5,83 pts de Lakey Peterson numa esquerda, já bem perto do fim, onde encaixou um punhado de rasgadas . Assim selou a passagem às meias-finais. Fase do campeonato que não será disputada esta terça-feira.
Teresa lutou muito contra o mar de Supertubos. Todavia, não foi além dos 5,10 pts perante os 10,00 pts somados pela experiente Lakey Peterson, uma antiga finalista vencida da prova penichense. Nas derradeiras tentativas de chegar à liderança, Bonvalot ainda tentou entubar, mas não teve o sucesso desejado e que obteve naquela incrível jornada inaugural, onde enviou para casa a dona da licra amarela, a havaiana Gabriela Bryan.
No entender da seis vezes campeã nacional Open, estes "às vezes são heats ingratos. Por mais que queiramos fazer, as condições não permitem".
Desta forma, a surfista de Cascais despede-se do MEO Rip Curl Pro Portugal num honroso quinto lugar, que representa a sua melhor prestação em etapas do circuito mundial. A prova feminina fica sem representação portuguesa, pois as compatriotas Francisca Veselko e Yolanda Hopkins também já tinham sido afastadas.
O MEO Rip Curl Pro Portugal marcou o regresso de Teresa Bonvalot à elite do surf mundial, onde já não competia desde 2023, tendo sido a sua segunda aparição no evento.
Porém, a goofy de 27 anos está muito bem posicionada na Challenger Series para que no próximo ano integre o Championship Tour (CT) a tempo inteiro. É terceira classificada do ranking do circuito de qualificação. Essa luta volta já em novembro no longínquo Taiwan. Depois, segue-se uma longa paragem competitiva até março, momento em que finalmente será realizado o Newcastle Surfest. Será um interregno tão grande que até faz perder a noção do tempo.
"Agora tenho o QS6000 internacional e depois é descansar e voltar na próxima época. É uma longa paragem. Parece que estamos em anos diferentes, parece o primeiro Challenger, mas na realidade é o último. É descansar e preparar", finalizou.
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