Frederico Morais está a viver um ano um "pouco agridoce", marcado por momentos completamente distintos em diferentes departamentos da sua vida. "Por norma, não se consegue ter tudo de bom ao mesmo tempo", diz.
A nível pessoal, tudo tem sido "incrível" para o atleta de 34 anos com o nascimento há um mês da bebé Olívia, fruto do seu casamento com Filipa Amaro. É estreia de Kikas na paternidade.
No reverso da medalha, a nível profissional o ano "tem sido complicado" para o ex-top mundial nas provas internacionais, onde procura via Challenger Series a requalificação para o CT do próximo ano. Após três etapas, em que não conseguiu passar qualquer heat, Frederico Morais surge num modesto 75.º posto da hierarquia, longe da zona de qualificação (top 10), numa fase em que restam apenas duas etapas para fechar o competitivo circuito.
Em conversa com os jornalistas na conferência de imprensa de lançamento do EDP Ericeira Pro, que aconteceu na última sexta-feira, o surfista de Cascais diz que, neste momento, "tem outras prioridades", numa alusão à inédita paternidade.
"Neste momento, mais do que estar obcecado com um resultado, privilegio muito mais passar tempo com a minha filha e viver momentos que se não viver agora, não irei viver depois. Já este campeonato haverá sempre todos anos, não vai fugir. Privilegio mais guardar essas memórias, que, no fim do dia, vão comigo para a vida toda. A minha grande vitoria e da minha mulher foi construir uma família. É algo que queríamos muito e conseguimos."
Neste momento inolvidável que atravessa em termos familiares, o EDP Ericeira Pro, quarta etapa da Challenger Series versão 2025/2026, promete ser ainda mais especial para Kikas e não é só por estar a competir em casa, onde como é habitual contará com o forte apoio do público português. "Competir em casa é sempre especial e este será provavelmente será o primeiro campeonato que a minha filha vai presenciar."
No primeiro ano em que se sente "lindamente", totalmente a 100% e a voltar após ter fraturado o tornozelo direito em dezembro de 2024, Frederico não esconde que a vida pode ter mudado, mas mantém o mesmo "desejo", "foco" e "fogo". Ainda agora, com a filha acabada de nascer, esteve 20 dias para participar no QS6000 internacional de Saquarema e no São Sebastião Pro, etapa da Challenger Series.
"Continue com fome [de competir]. Sinto que tenho energia e muito surf para mostrar. Por vezes, as coisas não correm como esperamos e desejamos. Continuo a fazer o meu trabalho, treinar, ginásio e o mais importante: a acreditar! Enquanto tiver esta paixão não há porque parar."
Olhando para os mais recentes resultados, que estão distantes face ao que ambicionava, Kikas fez uma retrospetiva.
"Sinto que falta aquele clique, aquela pontinha de sorte. Parece que este ano isso não acontece. Ainda agora no Brasil, estava em primeiro e em poucos segundos passei para o quarto lugar. Questiono-me: o que aconteceu? Sinto que o ano tem sido assim em vários campeonatos, parece que tenho as coisas na mão e de repente já não tenho. Mas o surf é mesmo assim, não conseguimos controlar a previsão do mar, o julgamento. A única coisa que controlamos é o que fazemos. Disso, estou descansado porque tenho continuado a trabalhar."
Para dar a volta a este momento menos exuberante, o surfista de Cascais diz que a receita é simples. "Tento estar focado na paixão que tenho pelo surf. Adoro fazer isto. É só continuar a acreditar e de repente dá esse clique. Acontece quando menos esperamos e as coisas começam a rolar."
Depois do EDP Ericeira Pro, segue-se logo o MEO Rip Curl Pro Portugal, a etapa lusa do CT. À semelhança do que já aconteceu no passado, Frederico Morais pisca o olho a um dos wildcards para competir em Supertubos junto da elite mundial e de nomes que tão bem conhece, como é o caso do italiano e grande amigo Leo Fioravanti, que pela primeira vez está a lutar pelo título mundial. Kikas está a torcer pelo sucesso do surfista romano.
"Adorava que o Leo fosse campeão do mundo. É como se fosse um irmão para mim e seria um orgulho enorme. Acho que as duas próximas etapas [Peniche e Cloud 9] vão ser cruciais porque o Leo em Pipeline está em pé de igualdade com qualquer surfista. Já lá fez duas finais. Se agora conseguir manter os resultados, minimizar a diferença ou até mesmo dar a volta, acho que pode cair para qualquer lado."
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