Outubro está aí. Marca a entrada no pleno outono, a chegada das primeiras ondulações com qualidade, depois de um longo verão, e o início de um mês com muito e bom surf internacional em Portugal. Do melhor que se pode encontrar no mundo.
'Meu querido mês de... outubro', bem se pode afirmar, naquela que é uma adaptação de uma conhecida música popular.
O que está prestes a começar a ser servido é o recuperar de uma velha fórmula. Competições encadeadas na Ericeira e em Peniche, dois dos maiores centros de surf de Portugal. É o que tínhamos naquele par de anos antes de uma pandemia que serviu de mote a uma profunda reestruturação dos calendários da World Surf League (WSL).
Nas próximas semanas, os holofotes recaem sobre um eixo onde se vão disputar as únicas duas etapas europeias dos dois principais circuitos da WSL: o Championship Tour (CT) e a Challenger Series. Por cá, teremos o privilégio de ver in loco a 'crème de la crème' do surf mundial. Duas provas em duas ondas bem diferentes (beach e point breaks), que demonstram toda a variedade que se pode encontrar na costa continental portuguesa, sempre chancelada com muita qualidade, consistência na ondulação e bom clima. Características que fazem as delícias dos surfistas nacionais e internacionais, muitos deles apaixonados pelo nosso país.
"Poucos países no mundo podem-se orgulhar de ter uma perna de praticamente dois meses com os melhores atletas cá", diz Francisco Spínola.
Esta é a continuidade de uma agenda que teve início ainda no verão, em setembro, com a edição inaugural do Xacobeo Norte Surf Fest, um evento com estatuto QS6000 internacional que estreou Leça da Palmeira na esfera da WSL. Pelo meio, cruzou-se o Atlântico para uma incursão ao país irmão para o QS6000 internacional de Saquarema e o São Sebastião Pro.
"[Os surfistas] vieram no início de setembro e passaram cá praticamente todo o mês. Fizeram de Portugal quase a base, o hub. Foram ao Brasil e estão agora a voltar todos, à medida que foram eliminados. É termos os melhores atletas do mundo em Portugal durante praticamente dois meses, com o todo o impacto que isso tem, seja mediático, desportivo, a nível das redes sociais e das próprias regiões, pois desta vez foi mesmo de Norte a Sul porque a primeira prova foi em Matosinhos", explica Francisca Spínola.
Esta sexta-feira, o diretor-geral da WSL para a Europa, África e Médio Oriente esteve à conversa com os jornalistas durante a conferência de imprensa de lançamento do EDP Ericeira Pro, a etapa portuguesa da Challenger Series. É a quarta e penúltima da campanha versão 2025/2026, que decorrerá de 6 a 12 de outubro em Ribeira d'Ilhas, um dos principais palcos do surf europeu, a famosa sala de visitas do surf português.
Dado o adiantado lugar que ocupa no calendário, o campeonato jagoz será naturalmente marcado por uma acérrima batalha pela qualificação para o CT do próximo ano.
Peniche ao virar da esquina
Na semana seguinte ao EDP Ericeira Pro, arranca o também muito aguardado MEO Rip Curl Pro Portugal (16 a 25 de outubro), que leva a elite mundial até Supertubos, o mais famoso beach break do oeste português. Depois de quatro anos a rolar em março, no inverno, a competição de Peniche volta à sua data original, estando situada na reta final da época, com a discussão dos títulos mundiais a fervilhar.
"Do ponto de vista logístico é muito mais desafiante para nós termos tantas provas consecutivas, uma vez que a equipa não duplicou. Tivemos de fazer em pouco mais de pressão sobre nós próprios", confidencia Spínola.
Por outro lado, o dirigente da WSL exalta os benefícios deste regresso às origens do MEO Rip Curl Pro Portugal. "É mais fácil a nível meteorológico para as próprias marcas que estão a ativar na praia e para a organização, que tem de montar várias estruturas."
Privilegiar a promoção do surf
Quem também vê com muitos bons olhos este mês repleto de provas internacionais de surf nas ondas portuguesas é o Turismo de Portugal, destacando a importância da modalidade na promoção do país além-fronteiras.
"Nos próximos tempos, toda a nossa estratégia de comunicação vai privilegiar o surf em estreita articulação com a WSL, numa parceria que esperamos que continue por muitos e bons anos", disse Carla Simões do Turismo de Portugal no lançamento do EDP Ericeira Pro.
"O surf é hoje mais do que um evento. Para nós, no decorrente da parceria que temos desde há muitos anos com a WSL, o surf transformou-se num ativo turístico, que promovemos em todas as nossas ações. Portugal é um conhecido destino de surf, de grandes eventos e assim queremos continuar. O legado que os eventos deixam em Portugal tem a ver com o que aconteceu no pré, durante e depois do evento. É incalculável o retorno que um evento como este deixa para Portugal."
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