Foi na madrugada desta sexta-feira em Portugal continental que o Tahiti Pro conheceu o seu epílogo. Foram coroados os vencedores da sétima etapa do CT’2026.
Nas famosas esquerdas tubulares de Teahupoo, que tiveram ação durantes seis dias consecutivos (não houve qualquer lay day), o prémio maior tocou ao havaiano Seth Moniz e à goofy canadiana Erin Brooks. Com todo o mérito, este duo inscreveu o nome na prestigiada galeria de vencedores do Tahiti Pro.
Para ambos, as vitórias foram muito importantes na luta pela requalificação para o CT do próximo ano, depois de uma primeira metade de época complicada em termos de resultados. Numa só tacada, os novos campeões do Tahiti Pro subiram vários lugares nas respetivas hierarquias.
Seth Moniz fez a estreia como vencedor de etapas do CT, vingando a final perdida nos cilindros de Pipeline para o cinquentão Kelly Slater em 2023. Já a jovem talentosa Erin Brooks venceu pela segunda vez uma prova da elite mundial, curiosamente sempre em ondas de consequência. A anterior vitória tinha sido anotada em Fiji’2024 no primeiro evento que fez no World Tour, então como wildcard. Fica a faltar Pipeline…
Ganhar a final dos amigos
No duelo que valia a coroação em Teahupoo, Seth Moniz bateu o norte-americano e grande amigo Griffin Colapinto, que impressionou durante todo o campeonato disputado nas águas do Oceano Pacífico. Fez a única nota perfeita (10,00 pts) e neste dia final já tinha levado a melhor sobre o australiano Jack Robinson, que era o campeão em título do Tahiti Pro e vencedor de duas das últimas três edições.
Porém, ainda não foi desta que o vice-campeão mundial reinou em Teahupoo, perdendo a segunda final consecutiva. O amigo Seth Moniz - conhecem-se desde os 10 anos - esteve demasiado forte ao somar uns impressionantes 18,17 pts em 20 possíveis. Griffin também se mostrou competitivo, mas quedou-se pelos 14,67 pts. Apesar da derrota, Colapinto regressou aos grandes resultados após uma primeira metade de época muito inconsistente. Vinha de duas derrotas consecutivas de primeira.
Por seu lado, o desempenho de Seth Moniz na final foi o corolário de um campeonato em cheio, mostrando que é um nome sempre considerar quando a ordem é fazer a manobra rainha do surf.
Às mãos do tube rider de 28 anos já tinham sucumbido o campeão mundial Yago Dora e o perigoso wildcard Eimeo Czermak. No dia das finais, Moniz começou por despachar o mexicano Alan Cleland nos quartos-de-final. Depois, elevou o nível para superiorizar-se ao brasileiro Italo Ferreira, que sai da Polinésia Francesa como novo dono da licra amarela.
O surf havaiano teve de esperar mais de uma década e meia para voltar a arrecadar o Tahiti Pro no lado masculino. Coube a Seth Moniz romper com um jejum que perdurava desde que o malogrado Andy Irons se impôs em 2010.
Reviravolta épica!
No setor feminino, onde a portuguesa Yolanda Hopkins foi semifinalista e alcançou um memorável terceiro lugar, a final teve como protagonistas duas goofys: a jovem canadiana Erin Brooks e a rookie israelita Anat Lelior, ‘carrasca’ da nossa Yo-Yo.
O heat foi absolutamente incrível, um dos melhores duelos femininos em tubos de que há memória. Foi uma luta sem trégua! Não ficou nada atrás da batalha entre Caity Simmers e Molly Picklum em Pipeline há dois anos.
Com uma técnica tubular soberba aliada a uma grande escolha de ondas, Anat Lelior teve um arranque a todo o gás. Rapidamente somou 16,33 pts e deixou Erin Brooks em combinação. Parecia que estava tudo encaminhado para termos uma israelita a ganhar no CT. Anat, de 26 anos, vibrava a cada nota que ouvia no lineup.
Só que Brooks tinha outros planos. Com uma capacidade de resposta notável numa situação bastante complicada, Erin mostrou porque é uma das melhores tube riders do atual circuito feminino. Na segunda metade do heat, eis que a surfista de 19 anos operou uma reviravolta épica, daquelas que fica para a história.
Com dois tubaços, a canadiana construiu o expressivo score combinado de 17,20 pts e virou a agulha a seu favor, quando já muitos acreditavam que não seria possível. Anat Lelior, que é treinada por Manuel Gameiro, ainda procurou esboçar uma reação, mas só coleccionou wipeouts, pelo que não conseguiu melhorar os 16,33 pts. Um desfecho amargo perante tudo o que fez.
Fechada a passagem pelo Taiti, o CT'2026 vai manter-se pelo Oceano Pacífico, com a passagem por outra onda de consequência, no caso Cloudbreak. O Fiji Pro realiza-se entre 25 de agosto e 4 de setembro.
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