Ainda não foi desta que António Dantas conquistou o emblemático Boardmasters, prova pertencente ao QS regional europeu de longboard e que abriu a nova temporada deste circuito continental.
Costuma-se dizer que não há duas sem três e o longboarder originário de São Pedro do Estoril sentiu isso na pele, para mal dos seus pecados. Pela terceira edição consecutiva da histórica prova inglesa, António Dantas termina como vice-campeão.
Teimosamente, a vitória continua a escapar ao top mundial português. Em Newquay, palco deste QS1000, tem havido sempre alguém mais forte na final, curiosamente sempre atletas franceses.
Na manhã deste sábado, o atual bicampeão nacional acariciou novamente o triunfo nas ondas de Fistral Beach, que conforme esperado apresentaram-se bem pequenas, mas aqui e ali surfáveis, nesta que é uma das praias com maior tradição no surfing europeu.
O goofy de 23 anos ficou outra vez perto de subir ao topo do pódio, lugar que foi posse do gaulês Louis Marchiset. Graças a um sensacional dia das finais, Marchiset, de 22 anos, estreou-se como campeão de eventos da World Surf League (WSL). Na meia-final, Louis esteve em 'modo arrasador' ao servir uma combinação a todos os adversários, entre os quais António Dantas, segundo classificado da bateria.
Com o mar minúsculo e condições lentas, tornava-se fundamental capitalizar as oportunidades que surgiam no lineup britânico. Dado todo este contexto, a primeira troca de ondas era bem importante. No heat decisivo, o mano do ex-campeão nacional João Dantas foi o mais forte nesse momento, com uma onda de 7,83 pts. O mote estava dado, mas Louis Marchiset acabou por fazer a diferença com a única nota excelente (8,07 pts) da final, que ajudou a perfazer o score combinado de 14,84 pts.
Em busca de um inédito triunfo nas águas da Cornualha, Dantas tudo tentou até ao fim. Emoção não faltou, como é hábito na praia localizada na costa sudoeste de Inglaterra. A indefinição quanto ao desfecho da grande final perdurou para lá do toque da buzina, com os finalistas a tomarem conhecimento dos resultados já em terra.
Na sua última onda, que valeu 6,33 pts, António roçou a reviravolta completa ao saltar do quarto para o segundo posto, acabando com 14,16 pts a contenda em que era o único atleta não-francês. Ao ouvir a nota, em pleno areal, António Dantas não escondeu a desilusão, juntamente com a turminha portuguesa presente.
Max Jamet (13,74 pts) e o vice-campeão Edouard Delpero (13,03 pts) acabaram na terceira e quarta posições, respetivamente.
Apesar de não ter conseguido conquistar o Boardmasters, o duplo campeão europeu em 2025 somou pontos (800) bem valiosos com vista a uma eventual necessidade de requalificação para o próximo circuito mundial. Ainda há duas semanas, António começou a campanha mundialista referente a 2026/2027 e já se está a pensar bem mais além.
Nota ainda para o honroso quinto lugar alcançado por Frederico Carrilho, de 20 anos, fruto de ter atingido as meias-finais. Fred, que está a ter uma grande época, não ficou longe repetir a presença na final de há quatro anos.
No plano feminino, este dia das finais já não teve longboarders portuguesas na água, depois das eliminações da campeã nacional Carolina Mendes e de Raquel Bento. A vitória foi arrecadada pela consagrada francesa Alice Lemoigne, reconquistando assim um evento que lhe tinha fugido no último verão.
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