Um entupimento das condutas de águas residuais provocou um escorrimento de efluentes para o mar, confirmou a Câmara Municipal da Nazaré.
A descarga de efluentes foi "detetada no domingo de manhã" junto ao Porto de Abrigo, tendo sido de "imediato deslocada uma equipa para o local", explicou o vice-presidente da autarquia, Miguel Sousinha (PSD), à agência noticiosa Lusa.
De acordo com o também presidente dos Serviços Municipalizados da Nazaré (SMN), o escorrimento, que terá durado "cerca de duas a três horas", resultou de "um entupimento das condutas de águas residuais" que provocou o escoamento "através desta conduta, conhecida em hidráulica como 'ladrão', que existe em todos os sistemas para evitar que, em caso de entupimento, o esgoto volte para trás e entre nas casas das pessoas".
A descarga foi detetada e denunciada nas redes sociais por um popular. Este disse à Lusa que a "situação já se arrastava há quase dois meses".
Miguel Sousinha admitiu a possibilidade de "ter havido aqui algum entupimento temporário [antes de domingo], mas não pode ter sido dois meses, porque, se assim fosse, tinham-nos feito chegar qualquer reclamação".
O vereador afirmou ainda que a equipa deslocada para o local "verificou todas as condutas". De acordo com o mesmo responsável, esta situação não teve qualquer relação com as duas descargas ocorridas na Praia da Nazaré durante o verão passado, tendo originado a interdição dos banhos. Na altura, mais de uma centena de pessoas recebeu assistência médica após terem sido contaminadas pela água.
Em março último, o município avançou com uma intervenção de substituição de condutas de saneamento na marginal e na zona mais antiga da vila, de modo a evitar a repetição de entupimentos na rede envelhecida e sujeita a forte pressão, sobretudo em períodos de maior afluência.
Uma intervenção semelhante é necessária também na parte sul da vila, onde "terá de ser feito todo um novo sistema de saneamento da Marginal da Nazaré, o que, quer em termos de custo, quer em termos de tempo, será uma obra com alguma envergadura, para a qual o município, neste momento, não está capacitado financeiramente", já que a intervenção, "em termos de águas residuais e pluviais, está avaliada acima dos 50 milhões de euros", explicou o vice-presidente.
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