Quem ficou acordado na madrugada deste domingo em Portugal para ver em direto o New Zealand Pro não saiu defraudado.
Tivemos um dos melhores dias de competição do ano, não ficando nada atrás daquelas memoráveis quatro jornadas consecutivas quem permitiram realizar a etapa anterior, o Gold Coast Pro, sem qualquer lay day.
Para esta reta final da prova 'kiwi', as previsões indicavam as melhoras ondas de todo o campeonato e este domingo comprovou-o. Durante a tarde lá na Nova Zelândia, as longas esquerdas de Manu Bay estiveram esplêndidas, mostrando a sua máxima valia.
Só foram realizadas meia dúzia de baterias, mas estes heats valeram mais do que muitas longas jornadas que vamos tendo. Basta ver que nestes seis duelos tivemos 12 (!) notas excelentes. Em todos os embates, houve pelo menos uma pontuação na casa da excelência. Simultaneamente tivemos um par de heats decididos nos últimos instantes, o que trouxe ainda mais emoção a este domingão de surf. Os tops mundiais ainda em competição elevaram o nível para deleite dos fãs.
A cereja no topo do bolo foi a primeira pontuação máxima (10,00 pts) do ano, cortesia do campeão mundial Yago Dora, que tem sido o surfista em maior evidência na prova masculina. Yago voltou a tocar a perfeição no CT - já o tinha feito em Saquarema'2023 - com um magnífico aéreo de rotação completa ao qual juntou um belo layback e um punhado de rasgadas, que completaram o bonito ramalhete.
Foi um compêndio de surf que permitiu operar a reviravolta no último suspiro diante do poderoso norte-americano Cole Houshmand. O power surfer californiano somou uns incríveis 17,00 pts, mas ficou pelo caminho.
Dora amealhou uns expressivos 17,50 pts e avançou em grande estilo para as meias-finais. O competidor catarinense está à caça da primeira vitória do ano e da licra amarela. Para reconquistar a "amarelinha' tem obrigatoriamente de vencer o campeonato neozelandês. Foi o requisito com que ficou após o compatriota Italo Ferreira (próximo adversário de Yago) ter derrotado Miguel Pupo nos 'quartos'. O mais velho dos Pupo permanece na liderança provisória da hierarquia. Todavia, agora já não depende de si para chegar nessa posição a El Salvador, palco da etapa seguinte. Uma facto já está consumado, haverá presença de um goofy brasileiro na final do New Zealand Pro.
Do outro lado do quadro (parte superior), a oposição será de um surfista que coloca o pé esquerdo à frente. Será o vice-campeão mundial Griffin Colapinto, que desfeiteou Filipe Toledo (ainda não é desta que ganha em 2026), ou o australiano Morgan Cibilic, que está com um backside muito afiado e posiciona-se como o outsider na luta pelo triunfo.
Carissa imparável
Neste super domingo, disputaram-se duas baterias da prova feminina, correspondentes às meias-finais. A campeoníssima Carissa Moore voltou a arrasar, mostrando mais uma vez que é a grande candidata à vitória no evento maori. No seu embate das semi-finais, a cinco vezes campeã mundial 'destruiu' a conterrânea Bettylou Sakura Johnson e as esquerdas de Manu Bay. Tivemos o privilégio de assistir a uma lição de surf de backside. Foi uma das melhores prestações de Moore numa bateria do circuito mundial.
Com a filha e o marido a assistirem em terra, Riss ficou muito perto do heat perfeito. Anotou 19,00 pts em 20 possíveis! Serviu uma combinação a Bettylou (13,70 pts), dando-se ao luxo de descartar uma nota de 9,00 pts. De loucos! A primeira campeã olímpica da história do surf está imparável.
O derradeiro obstáculo será a californiana Sawyer Lindblad, uma surfista 13 (!) anos mais nova do que Carissa Moore.
Também com uma bela performance (15,76 pts), a antiga vice-campeã mundial Júnior da WSL bateu a compatriota Alyssa Spencer. O duelo entre as duas jovens goofys foi bastante equilibrado. Uns magríssimos 0,3 pts separaram as atletas. Sawyer Lindblad, de 20 anos, chega pela segunda vez a uma final no CT. Pela frente tem agora uma tarefa hercúlea.
Na pacata Raglan, a chamada para o dia das finais está marcada para as 20h15 deste domingo em Portugal, com potencial início de ação às 20h35. Segundo a previsão, o mar continuará a oferecer altas esquerdas em Manu Bay. Tem tudo para ser um apoteótico final de prova, a primeira do CT no Nova Zelândia desde 2013.
Resultados quartos-de-final masculinos:
HEAT 1: Griffin Colapinto (USA) 17.10 DEF. Filipe Toledo (BRA) 15.83
HEAT 2: Morgan Cibilic (AUS) 13.60 DEF. Rio Waida (INA) 13.50
HEAT 3: Yago Dora (BRA) 17.50 DEF. Cole Houshmand (USA) 17.00
HEAT 4: Italo Ferreira (BRA) 16.63 DEF. Miguel Pupo (BRA) 12.17
Resultados meias-finais femininas:
HEAT 1: Sawyer Lindblad (USA) 15.76 DEF. Alyssa Spencer (USA) 15.73
HEAT 2: Carissa Moore (HAW) 19.00 DEF. Bettylou Sakura Johnson (HAW) 13.70
Meias-finais masculinas:
HEAT 1: Griffin Colapinto (USA) vs. Morgan Cibilic (AUS)
HEAT 2: Yago Dora (BRA) vs. Italo Ferreira (BRA)
Final feminina:
HEAT 1: Sawyer Lindblad (USA) vs. Carissa Moore (HAW)
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