Em manhã de Sábado de Aleluia na Austrália, bem se pode dizer: aleluia! Tivemos finalmente a estreia das surfistas portuguesas no CT'2026. Yolanda Hopkins e Francisca Veselko, as primeiras lusas que conseguiram a qualificação para o circuito mundial de surf.
A expectativa era muita para ver o que faziam estas duas pioneiras em Bells Beach, um dos templos do surf mundial. As duas rookies tiveram fins diferentes.
Na estreia como top mundial, Veselko venceu pela primeira vez um heat no CT e avançou de forma sólida para os oitavos-de-final, enquanto Hopkins ficou pelo caminho após derrota logo na bateria inaugural da jornada. No CT atual, agora é assim. Já não há repescagens, pelo qualquer deslize dita o afastamento imediato da prova.
Se na véspera, a ação demorou muito a ir para a água, desta vez as hostilidades abriram bem cedo pela manhã nas direitas do Bells Bowl, que está a apresentar condições desafiantes devido ao vento onshore que sopra com intensidade. Um vento que complica a vida aos atletas, pois deteriora a ondulação, mas também a quem está em terra, uma vez que é bem gelado. Com o onshore a predominar, a escolha de ondas é ainda mais decisiva.
Nas baterias de Yolanda Hopkins e Kika Veselko, a primeira troca de ondas foi muito importante para o desfecho das baterias. Kika saiu por cima no embate com a costarriquenha Brisa Hennessy, mas o mesmo já não aconteceu no despique entre a novata Yo-Yo e a veterana 'aussie Sally Fitzgibbons.
Desde o início do heat 3 da ronda inaugural, a irmã de Jaime Veselko não mostrou nervosismo por estar a competir pela primeira vez com o estatuto de top mundial e em Bells Beach. Bem pelo contrário.
A surfista que tem o número 19 na licra mostrou-se confiante e bem conectada com o mar. Conforme confidenciou na entrevista pós-heat, pagou os dividendos de ter feito o trabalho de casa. Há pelo menos 15 dias que treina em Bells, onde assentou arraiais após encerrar a participação na Challenger Series em Newcastle, também na Austrália. Aí, tinha sofrido um duro golpe ao perder de primeira, mas agora veio a redenção num palco bem maior.
A ex-campeã mundial Júnior da WSL esteve praticamente todo o heat no comando das operações. Conseguiu um par de notas na casa dos seis pontos, que perfizeram o score combinado de 12,67 pts face aos 9,10 pts de Brisa Hennessy, que já não competia desde maio do ano passado e nunca pareceu estar totalmente em sintonia com as ondas.
"A Brisa é uma surfista fantástica. Sabia que tinha de apanhar as ondas certas. Está muito difícil [as condições]. É insano estar aqui, num evento tão icónico e que vinha a assistir ao longo dos anos. Esta onda faz lembrar a Ericeira [Ribeira d'Ilhas), mas é ainda melhor", explicou a duas vezes campeã nacional Open, já depois de ter distribuído alguns autógrafos à pequenada mal saiu da água.
"Estou tão contente e sinto que tenho de acalmar-me. Está mais por vir. Nada se compara a esta sensação", concluiu.
Kika, de 22 anos, entra assim com o pé direito no CT'2026. Obteve uma vitória de prestígio ao derrotar uma surfista que há muito está na elite mundial e que tem tirado excelentes resultados em Bells Beach. Em três das anteriores quatro edições, havia conquistado o terceiro posto.
Para Francisca Veselko, segue-se o duelo com a havaiana Gabriela Bryan nos oitavos-de-final. É uma das mais poderosas power surfers do CT feminino e foi número 3 do ranking mundial na última época, onde venceu três etapas! O duelo luso-havaiano acontece na terceira bateria dos oitavos.
Por sua vez, Yolanda Hopkins não conseguiu ultrapassar Sally Fitzgibbons, tal como tinha feito nas duas últimas edições do Saquarema Pro na Challenger Series. Agora, a jogar em casa da adversária, prevaleceu a maior experiência da antiga vice-campeã do mundo e duas vezes vencedora do Rip Curl Pro Bells Beach.
A australiana de 35 anos somou 11,84 pts contra os 9,60 pts da vice-campeã da última Challenger Series. Esta termina no 17.º lugar a estreia na mais antiga prova do circuito mundial de surf. Yo-Yo ruma agora ao Oeste australiano para competir em Margaret River na segunda quinzena de abril, altura em que se realiza a segunda etapa do CT'2026.
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