Em Ovar, a ministra do Ambiente identificou, na passada terça-feira, as obras urgentes a realizar na Praia do Furadouro para reparar os danos causados pelo 'comboio de tempestades' do último inverno e também anunciou uma posterior reposição de areias em dimensão nunca antes vista neste concelho.
Numa fase em que já estão em curso obras para reforço dos respetivos esporões e da estrutura longitudinal aderente, Maria da Graça Carvalho referiu que as intervenções mais “urgentes” são a reconstrução do muro marginal da Praia do Furadouro, o reforço do cordão dunar e dique fusível da Barrinha de Esmoriz e “alguma reposição - pouca - de areia” nessas e outras praias de Ovar.
Para isso, o protocolo assinado pela Câmara Municipal de Ovar e pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) prevê um orçamento de 375 mil euros, mediante o qual a maioria dos trabalhos deverá ficar concluída até ao arranque da época balnear e, no restante, até ao final do ano.
Especificamente quanto aos areais, que praticamente desapareceram nos últimos meses, o presidente da Agência Portuguesa (APA), José Pimenta Machado, confia que a situação será corrigida pelo desempenho natural das águas após o inverno: “A nossa expectativa, como acontece em todas as praias, é que o mar ao acalmar vá recolocar a areia que levou da praia. Mas o protocolo permite a possibilidade de colocarmos mais”.
A reposição natural será monitorizada pela APA para que, caso venha a ser necessário complementá-la com deposição, a intervenção permita garantir “boas condições para a época balnear, em segurança e de forma a poder estender-se a toalha [no areal] e apanhar sol”.
No concelho, que é o "mais vulnerável do país em termos de erosão costeira”, a empreitada seguinte, já em preparação, é a que Pimenta Machado definiu como “uma operação de grande magnitude, como nunca foi feito em Ovar”. Essa intervenção irá abranger três praias: Furadouro, Cortegaça e Maceda.
Apesar da data de início dos trabalhos ainda não estar definida, o presidente da APA salientou alguns aspetos: só para o estudo e a avaliação de impacte ambiental “é um milhão de euros”, a obra terá que ser executada no presente quadro comunitário de apoio — concluindo-se no máximo no início de 2029 e “com os pagamentos todos em 2028”, nota a ministra. O custo global da empreitada, a avaliar por intervenções idênticas, deverá situar-se na ordem dos 15 milhões de euros.
“Para termos uma ideia, uma galera de um camião leva entre 15 a 20 metros cúbicos de areia. Mas [para essa intervenção] estamos a falar de mais de dois milhões de metros cúbicos de areia”, observou o presidente da Câmara Municipal, Domingos Silva. Pimenta Machado sintetizou que “são milhares de camiões".
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