Os danos causados pelo mau tempo no litoral de Portugal continental vão obrigar a um investimento de 111 milhões de euros por parte do Governo até 2028.
O valor para mitigar os "impactos significativos" foi avançado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) na última quarta-feira. No Porto, a APA fez um balanço das ocorrências causadas pelo mau tempo entre outubro de 2025 e março deste ano, com especial foco no comboio de tempestades que assolou a costa continental neste inverno.
A apresentação do relatório técnico ficou a cargo do presidente da APA, José Pimenta Machado, numa sessão que contou com a presença da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e do presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte.
Para o responsável máximo da APA, este foi “sem dúvida” o pior ano em termos de temporais desde a tempestade Hércules, que assolou o país em janeiro de 2014.
Dos 111 milhões de euros anunciados, a Agência Portuguesa do Ambiente prevê que 15 milhões sejam aplicados até ao início da época balnear (maio) e outros 12 milhões até ao final do ano, com 31 milhões investidos até ao final de 2027 e outros 53 milhões a partir de 2028.
Segundo Maria da Graça Carvalho, existe um “bolo” total de 174 milhões de euros, entre o que está em curso e o que está prestes a arrancar, depois do Conselho de Ministros aprovar o ‘pacote’ e ser publicado.
O investimento pretende responder aos “impactos significativos na faixa costeira de Portugal continental”, entre danos em infraestruturas, estruturas de proteção costeira, recuo da linha de costa e alterações na morfologia das praias.
“A quase totalidade das praias do continente registaram importante redução do seu conteúdo sedimentar no domínio emerso”, pode ler-se no relatório, que destaca 571 danos ao todo em 749 ocorrências reportadas.
A maior parte das ocorrências registou-se na região Centro (257). Mais de um terço reporta-se a erosão costeira (36,7%), seguida da instabilidade em arribas (30,6%).
Quanto aos danos, quase metade (43,3%) têm a ver com acessos, seguido de danos em estruturas aderentes (21,7%), como paredões, muros ou enrocamentos. Dos 571 danos, 204 foram reportados em Ovar. Nesse mesmo concelho, a Praia de São Pedro de Maceda sofreu um recuo “na ordem dos 20 metros”, um “drama” acentuado pela localização de um aterro a 500 metros do local.
Há 86 obras que são urgentes - estão marcadas para estarem concluídas até final do ano - e 40 obras de curto e médio prazo, com horizonte a dois anos.
Entre as obras urgentes, seja por questões de segurança ou minimização de impactos, estão trabalhos de reconstrução de acessos, reforços de cordões dunares, intervenções em passadiços, trabalhos de estabilização e limpeza, estacionamentos e reposicionamentos de embocadura.
Do período pré-tempestades, segundo o presidente da APA, já havia "18 operações contratadas ou em curso, de um valor a rondar os 63 milhões de euros, na Costa de Caparica, Espinho e Algarve".
O relatório da Agência Portuguesa do Ambiente alerta ainda para uma recuperação “lenta e gradual” das praias, que pode ser atrasada por mais intempéries na primavera.
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