A Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (FEPONS) manifestou-se "preocupada" com a falta de nadadores para assegurar o arranque da época balnear nas praias portuguesas e alertou para a urgência em alterar a lei que rege o setor.
"Anualmente, em média, perdemos aproximadamente 50% dos nadadores-salvadores", disse o presidente da Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (FEPONS), Alexandre Tadeia, expressando "a preocupação de não se saber com quantos profissionais se poderá contar" no arranque da época balnear de 2026.
Em Portugal, de acordo com o responsável do organismo, existem mais de cinco mil nadadores-salvadores certificados para efetuar a vigilância das praias. Na sua maioria têm o "perfil de jovens estudantes universitários, que quando acabam a sua formação universitária, acabam por procurar outras opções de emprego".
Este fator, que "todos os anos obriga a formar cerca de metade" dos nadadores-salvadores necessários, concorre para que a Federação se debata anualmente com a escassez de profissionais no arranque da época balnear.
"Sendo jovens estudantes universitários, normalmente só estão disponíveis a partir da metade do mês de junho ou início do mês de julho, o que levanta, de facto, grandes problemas no arranque da época balnear, ainda mais para aquelas zonas do país em que a época balnear se inicia logo no início ou a meio de maio", explicou Alexandre Tadeia.
À semelhança das últimas épocas balneares, a falta de profissionais deverá ser colmatada com o recurso a "mão de obra estrangeira [maioritariamente do Brasil e da Argentina], que normalmente já está disponível nesta altura do ano".
Porém, o presidente da FEPONS diz que urge "criar um outro sistema que, de facto, não tenha uma época balnear apenas focada em três ou quatro meses", pondo fim ao conceito de época balnear, uma vez que a maioria das praias portuguesas "são utilizadas durante todo o ano".
Neste âmbito, a Federação defende uma alteração da legislação e do sistema de assistência a banhistas em Portugal "para um sistema semelhante aquele que existe nos bombeiros, com uma entidade central, o Instituto Socorros a Náufragos, a coordenar, e associações de nadadores-salvadores, sem fins lucrativos, a prestarem o socorro cada uma com a sua zona".
Para a FEPONS é também imperativo que as autarquias assumam "esta área, que já é da sua competência desde 2018, mas algumas ainda continuam a empurrar para os concessionários de praia esta obrigação".
Os concessionários "têm de ser retirados desta equação", defende Alexandre Tadeia, considerando que por um lado, "não têm a mínima lógica serem eles a pagar aos nadadores-salvadores e a comprarem o material" e, por outro, o Estado "tem de olhar para este setor com uma perspetiva humanitária e não com uma perspetiva comercial", com empresas "a concorrer umas com as outras para ver quem é que dá o valor mais baixo para vigiar uma praia". Até porque, sublinhou, "misturar salvamento e dinheiro, normalmente dá em mau resultado".
No entender do presidente da FEPONS, a solução para a escassez de vigilantes nas praias também passa por melhorar a remuneração e condições de trabalho dos nadadores, que "são técnicos de socorro, passam por uma formação muito exigente, de 150 horas e devem ser olhados com respeito".
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