Apresentado na última sexta-feira, o sistema de qualificação olímpica sofreu alterações para Los Angeles'2028, sendo marcado pela redução do número de vagas atribuídas pelo circuito mundial de surf. Diminuiu quase para metade.
Dos 18 bilhetes entregues para Tóquio'2020 e Paris'2024, agora passa para 10 'tickets'. Porém, esta não é a única novidade. Agora, há o limite de um atleta por género para cada nação.
O ramalhete fica completo com a definição dos surfistas qualificados com base nos rankings verificados em junho de 2028, mesmo às portas dos Jogos da 34.ª Olimpíada. É uma grande mudança em relação aos anteriores processos, nos quais vigoravam os rankings finais do CT no ano pré-olímpico.
Todo este novo cenário está a gerar um grande descontentamento em vários surfistas da divisão máxima do surf mundial. Dos mais experientes como o campeão mundial Yago Dora e Leo Fioravanti às jovens Erin Brooks e Tya Zebrowski, que é uma estreante no CT. Os atletas queixam-se que não foram consultados na elaboração do novo modelo.
As críticas ferozes surgiram na caixa de comentários da publicação na rede social Instagram em que a ISA apresenta o novo sistema de qualificação olímpica. O foco está precisamente apontado à Associação Internacional de Surf (ISA), entidade que é reconhecida pelo Comité Olímpico Internacional (COI) como a responsável pela tutela do surf a nível mundial.
"É um completo desrespeito a forma como vocês conduziram isto. Estou absolutamente triste pelo nosso desporto e as futuras gerações de surfistas", escreveu o brasileiro Yago Dora.
Por sua vez, o compatriota Filipe Toledo disse: "O pior é a forma como toda esta situação foi conduzida por vocês".
"É de doidos ver que vocês, elementos da ISA, atuam sempre nas nossas costas (surfistas do CT) e apresentam o sistema de qualificação mais injusto", afirmou João Chianca.
Já o italiano Leo Fioravanti diz estar em "completo desacordo com este sistema de qualificação", considerando que o anterior modelo "funcionou de forma perfeita".
"Agora, o campeão mundial da WSL em 2027 não tem lugar assegurado nos Jogos Olímpicos. Para ser claro em relação ao comportamento dos surfistas da WSL: tentámos comunicar com a ISA para encontrar a melhor solução para todos, mas a ISA não estava disposta a trabalhar com os surfistas da WSL."
Também top mundial, a veterana Lakey Peterson fala em "total desrespeito para com os surfistas da WSL", enquanto a jovem Erin Brooks refere que a "consistência ao mais alto nível é o que define o surf de competição. O CT é onde isso acontece e o caminho para os Jogos Olímpicos deve refletir isso de forma mais notória".
Por último, a rookie Tya Zebrowski, de apenas 14 anos, também não poupou nas palavras: "O sistema de qualificação anunciado não está alinhado com os atletas. Decisões que marcam as nossas carreiras e o nosso futuro nunca devem ser tomadas sem a genuína consideração dos atletas e do seu bem-estar. O caminho para as Olimpíadas deve apoiar a performance, a saúde do atleta, o seu desenvolvimento a longo prazo e não ser guiado principalmente por questões políticas e de controlo estrutural."
A super grom francesa pede à ISA "mais diálogo, clareza e colaboração com os atletas, cujas carreiras são diretamente afetadas por estas decisões".
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