Depois da competição masculina do Pipe Challenger ter sido dominada pela Austrália - ganhou e teve cinco dos oito semifinalistas - o surf havaiano mandou no seu feudo entre as senhoras.
Na madrugada deste sábado, a honra foi salva pela top mundial Gabriela Bryan, que conquistou o evento após final com um elenco luxo. Três das quatro finalistas eram surfistas do CT, entre as quais a vigente campeã do mundo Molly Picklum, que sai novamente derrotada de um embate com a adversária havaiana.
A surfista do Kauai, conterrânea do malogrado Andy Irons, viajou até ao lendário North Shore de Oahu para finalmente vencer pela primeira vez uma etapa da Challenger Series e logo na onda mais famosa do globo. Um triunfo de prestígio obtido diante de duas atletas que já tinham saboreado a vitória naquelas águas: 'Pickles' e a teenager Erin Brooks.
Para trás, Bryan deixou uma sequência de três finais consecutivas perdidas neste competitivo circuito de acesso à elite mundial. Curiosamente, todas foram disputadas em 2021, o ano em que Gabby qualificou-se para o CT e sagrou-se campeã do circuito Challenger Series.
Para a surfista de 23 anos, esta foi também a redenção com Pipeline, onde em dezembro último perdeu a final do QS2000, então derrotada pela mamã Carissa Moore, pois esta conseguiu entubar.
Desta vez, não houve tubos durante a final, que teve de ser resolvida com recurso a manobras. Prevaleceu o poderoso power surf de Gabriela Bryan, que fez muitos estragos de backside.
Os cilindros - marca d'água de Pipeline - ainda foram aparecendo aqui e acolá durante este dia das finais, que trouxe as mulheres de volta à competição oito dias (!) após a primeira aparição. Surfistas como a super grom Tya Zebrowski, Isabella Nichols, a surpreendente Anat Lelior e Erin Brooks demonstraram maior atração para andar à sombra. Na retina fica o fenomenal tubo de backside de Erin Brooks para Backdoor nos 'quartos', que quase valeu a perfeição (9,43 pts), mas também a bela toca (8,50 pts) de Tya Zebrowski, que aos 14 anos (!) já entuba na meca do surf mundial como gente grande. A nova geração mostrou como se faz.
Com a chegada da tarde, tal como já tinha acontecido noutros dias, as condições deterioram-se com o vento onshore a soprar mais forte. Os tubos que já estavam escassos, acabaram por desaparecer a partir das meias-finais.
Foi nessa condições que se impôs Gabriela Bryan, depois de ter contribuído para a eliminação da 'nossa' Francisca Veselko nas meias-finais. Na final, a ex-rookie do ano no CT conseguiu o score combinado de 12,70 pts. Os seus ataques foram muito precisos.
Muito ativa, a prodigiosa canadiana Erin Brooks alcançou o segundo posto com 10,47 pts. A goofy de apenas 18 anos voltou a exibir todo o seu apetite por ondas de consequência.
Campeã do mundo, Molly Picklum (9,43 pts) teve de contentar-se com o terceiro posto. Com uma forte manobra de backside´(7,00 pts), 'Pickles' até saiu na frente de final, mas depois não conseguiu responder à superioridade evidenciada pela vice-campeã do último MEO Rip Curl Pro Portugal. A falta de um backup mais gordo - somou apenas 2,43 pts - foi fatal para as aspirações de Molly em obter nova vitória em Pipe.
No quarto lugar ficou a goofy israelita Anat Lelior, a grande surpresa da prova feminina. A competir pela primeira vez na bancada rainha do surf mundial, a atual líder do QS regional europeu brilhou e foi a atleta do velho continente que chegou mais longe.
Durante o dia, a surfista treinada pelo português Manuel Gameiro mostrou a versatilidade do seu surf: bela técnica tubular e poderosa nas manobras, sempre com um backside muito afiado. Na final, onde defrontou três surfistas do CT, a surfista de Tel Aviv teve um desempenho mais discreto e não foi além dos 3,13 pts. Não conseguiu aplicar o backside que tantos frutos deu. Porém, o grande resultado obtido aproximou muito Anat Lelior da zona de qualificação para o CT.
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