O que era um rumor, agora tornou-se oficial. Para os Jogos Olímpicos de Los Angeles'2028, que marcam a terceira presença consecutiva do surf no mega evento, haverá um novo sistema de qualificação.
Esta sexta-feira, em comunicado oficial, a Associação Internacional de Surf (ISA) anunciou que o novo modelo foi aprovado pelo Comité Olímpico Internacional (COI) e confirmado pela própria ISA. Trata-se de uma atualização que tem o apoio da Federação Portuguesa de Surf.
O processo foi "desenvolvido a partir de importantes aprendizagens dos Jogos Olímpicos anteriores", tendo sido "atualizado para assegurar que os surfistas com melhor rendimento tenham a melhor oportunidade de qualificação". Simultaneamente, preserva a "universalidade", valor sagrado do olimpismo. Assim explica a ISA, entidade que é reconhecida pelo COI como a responsável pela tutela do surf a nível mundial.
Conforme foi veiculado nos últimos dias, através de uma muito badalada notícia da página brasileira 'AOS Mídia', o novo sistema reduz o peso do circuito mundial de surf, que passa a atribuir menos vagas e uniformizadas nos setores masculino. Diminui quase para metade. Dos 18 bilhetes entregues para Tóquio'2020 e Paris'2024, agora passa para 10.
Em contraponto, mantém-se a preponderância do Mundial ISA, decisão que está a gerar bastante descontentamento entre alguns surfistas do CT, como é o caso do campeão mundial Yago Dora.
Outra grande alteração face ao passado é o aumento do número máximo de atletas que cada nação pode ter por género. O número definido é de três surfistas, sem possibilidade de adições.
Nas Olimpíadas de Los Angeles'2028, cuja prova de surf acontecerá em Trestles, haverá 48 atletas em competição, tal como sucedeu em Paris'2024. O elenco é composto por 24 homens e outras tantas mulheres, que vão envergar a licra numa das melhoras ondas de performance do globo.
O processo de qualificação obedece a um sistema hierárquico, com as principais competições a alocarem um maior número de vagas. Apesar de tudo, o circuito mundial de surf ocupa o topo da pirâmide e adquire relevância no ano olímpico.
No CT, as vagas olímpicas serão atribuídas a 10 surfistas (5 homens e 5 mulheres), com limite de um atleta por nação em cada género. Anteriormente eram dois. Os qualificados serão determinados com base nos rankings verificados em junho de 2028, mesmo às portas dos Jogos da 34.ª Olimpíada. Nessa altura, que deverá coincidir com o meio da temporada, os mais bem classificados de cada nação agarram o bilhete para Trestles. É uma grande mudança em relação aos anteriores processos, nos quais vigoravam os rankings finais do CT no ano pré-olímpico.
O segundo lugar da hierarquia é ocupado pelo Mundial ISA de 2028. Aí, estarão em jogo 20 vagas (10 homens e 10 mulheres), novamente com cada país a estar limitado a uma vaga por género. Quer isto dizer que em 2028, precisamente o ano dos Jogos Olímpicos, teremos 30 dos 48 lugares a serem decididos. A coisa promete!
Descendo no sistema hierárquico, depois surgem as vagas continentais. Os Jogos Asiáticos de 2026 distribuem uma vaga por género, sendo que o mesmo acontecerá com os Jogos Pan-Americanos e o Eurosurf de 2027. Importa referir que esta será a primeira vez que o Eurosurf fará parte do processo de qualificação olímpica, trazendo um condimento extra à prova organizada pela Federação Europeia de Surf.
Por sua vez, o Mundial ISA de 2027 vai oferecer uma vaga por género para África e a Oceânia, mas apenas se os surfistas destes países terminarem no top 25 do certame.
No sistema hierárquico, seguem-se os Mundiais ISA de 2026 e 2027. Estes eventos vão premiar as seleções vencedoras por género com uma vaga, no total de quatro. Em toda o sistema de qualificação, estas são as únicas vagas definidas com base em desempenhos coletivos.
Os Estados Unidos da América, país anfitrião das Olimpíadas, têm garantida uma vaga por género, a menos que já tenham preenchido as suas quotas através das hierarquias acima definidas, o que é muitíssimo provável.
Por fim e repetindo o que já aconteceu no passado, reserva-se um lugar por género para os países subdesenvolvidos, que têm de se candidatar para o efeito. Os pretendentes necessitam de terminar no top 40 os Mundiais ISA de 2027 ou de 2028. São as denominadas vagas da universalidade.
"Com este sistema de qualificação, estamos seguros de que os melhores surfistas do mundo terão a oportunidade de assegurar o seu lugar, viver o sonho olímpico e oferecer outro espetáculo inesquecível", considera Fernando Aguerre, presidente da ISA.
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