Há mais uma depressão no horizonte. Chama-se Leonardo e começa a afetar o estado do tempo em Portugal continental a partir da tarde desta terça-feira, mantendo-se por cá até sábado.
Leonardo é a sexta (!) tempestade a atingir o continente desde o início do ano. Só entre os dias 22 e 28 de janeiro, houve três temporais (Ingrid, Joseph e Kristin) que assolaram o território.
Em entrevista à agência noticiosa Lusa, Pedro Matos Soares, físico da atmosfera e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, admite que um conjunto de depressões como as da semana passada “não é uma coisa muito frequente”.
Porém, o especialista em clima relativiza: “Sempre tivemos e sempre teremos estes processos, chamados comboios de depressões”.
“Faz parte do nosso clima porque nós estamos num clima de transição. No entanto, a frequência destes episódios é relativamente baixa, mas não é uma coisa sem precedentes, de modo nenhum".
Segundo Pedro Matos Soares, a situação meteorológica que se vive está relacionada com o posicionamento do anticiclone dos Açores de forma persistente em latitudes mais a sul do que o normal.
Nesta posição a sul costuma haver um movimento de pulsação, entre o norte e o sul, o que não está a acontecer nas últimas semanas.
Com uma conjugação de anticiclones persistentes nas latitudes elevadas (Escandinávia), este fenómeno permite haver uma faixa por onde estão a passar as tempestades.
As tempestades não passam pelos sistemas de anticiclones, de altas pressões, mas o anticiclone mais a sul criou um corredor para as depressões que se geram no Atlântico Norte e que estão a vir para leste, para Portugal e até ao Reino Unido.
A depressão Kristin, com precipitação e vento muito intenso, tem a ver com a geração de uma 'tempestade de ferrão' ou 'sting jet'.
De acordo com Pedro Matos Soares, estes 'sting jet' são relativamente raros em Portugal, mas já aconteceram em 2009 e depois em 2018, associado ao furacão Leslie. O resultado foi uma tempestade sem precedentes do ponto de vista do vento.
O especialista não associa o momento atual às alterações climáticas, mas acrescenta que quando se olha para as evidências há um traço comum a todas elas: a região geográfica de Portugal será acometida mais frequentemente de extremos de precipitação, muita chuva ou a falta dela.
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