A criação da Reserva Natural Marinha D. Carlos, que será a maior área marinha protegida em Portugal ao abranger o complexo dos montes submarinos de Madeira-Tore e Banco de Gorringe, entrou em consulta pública na última terça-feira.
A futura reserva tem uma área de 173 mil quilómetros quadrados e "levará Portugal a atingir 25% de área marinha protegida sob soberania nacional", refere um comunicado conjunto do Ministério do Ambiente e Energia e do Ministério da Agricultura e Mar, adiantando que "estão reunidas as condições técnicas e científicas para se avançar com o processo para proteger a biodiversidade e contribuir para uma gestão mais sustentável do oceano". A consulta pública decorrerá até 6 de março.
Em comunicado, o Governo recorda o funcionamento do processo de classificação e as entidades envolvidas, sendo que também explica que o nome da reserva presta homenagem a D. Carlos, "fundador da oceanografia em Portugal", cuja investigação pioneira abrangeu o mar profundo.
Com quase duas vezes a área do território emerso de Portugal, a reserva D. Carlos será uma das maiores áreas marinhas protegidas da União Europeia, "reforçando a ambição nacional de cumprir o objetivo de proteger 30% do oceano até 2030", refere o comunicado.
Segundo o comunicado, a nova reserva marinha integra "alguns dos mais relevantes montes e bancos submarinos" do Atlântico Nordeste, incluindo também o Monte Josephine, o Monte Seine, o Banco Coral Patch e o Monte Ampère, "reconhecidos pela sua elevada produtividade e importância para espécies vulneráveis, migratórias e de elevado valor ecológico".
Na área a proteger, também se encontram ecossistemas de "grande valor ecológico e altamente vulneráveis", como recifes de corais de águas frias, jardins de gorgónias, agregações de esponjas de profundidade, campos de crinoides, comunidades bentónicas ricas em endemismos e "zonas de elevada produtividade que funcionam como áreas de alimentação, reprodução e agregação de diversas espécies", explica o Governo.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, disse, citada no comunicado, que a reserva "representa um marco histórico para a política de conservação do oceano em Portugal".
"Estamos a proteger ecossistemas únicos, de enorme valor ecológico e científico, reforçando o nosso compromisso com a proteção da biodiversidade marinha, com a ciência e com as gerações futuras", concluiu.
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