Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) mediram pela primeira vez, com grande precisão, a altura das ondas internas do oceano, algo que pode ser a "chave para a investigação” sobre alterações climáticas.
“Com as imagens do satélite e a aplicação deste modelo, podemos medir estas ondas e conhecer a sua anatomia e impacto, contribuindo assim para um melhor conhecimento da dinâmica no oceano”, explica José da Silva, docente da FCUP e primeiro autor do estudo, citado num comunicado da instituição.
Saber a amplitude destas ondas internas “poderá ajudar a compreender a propagação de energia das ondas e melhorar os modelos de previsão climática e oceânica”, indica a FCUP.
O estudo, publicado na revista 'Science of Remote Sensing', “abre caminho a um novo método mais rápido, barato e preciso de medir a energia das ondas internas solitárias, dispensando medições in situ“, acrescenta.
“Estas ondas provocam a mistura vertical de massas de água, transportando calor, salinidade e nutrientes entre camadas profundas e superficiais”, descreve a FCUP, assinalando que esta mistura vertical “tem influência direta na circulação oceânica e na transferência de dióxido de carbono entre o oceano e a atmosfera”.
No estudo liderado pela FCUP, os investigadores recorreram ao novo sensor KaRIn a bordo do satélite SWOT — uma missão conjunta da NASA e CNES — Agência Espacial Francesa, lançada em 2022 — “que permite observar as ondas internas a três dimensões, com uma resolução sem precedentes”.
Foi também utilizada a equação matemática DJL — Dubreil — Jacotin — Long, criada nos anos 1930, que permite, com dados do SWOT, calcular a estrutura completa das ondas internas, nomeadamente o seu tamanho, forma e as correntes que geram no interior da coluna de água.
“Para validar estes resultados, os investigadores cruzaram estes dados com informação obtida in situ na Amazónia, onde se formam algumas das maiores ondas internas do planeta, que podem atingir 150 metros de altura, através de um equipamento para medição da temperatura em profundidade”, afirma a FCUP.
O próximo passo, segundo a FCUP, “será aplicar o método a outras regiões do mundo, incluindo Portugal, onde as ondas internas solitárias podem atingir os 50 metros de altura”.
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